Fundação Odebrecht comemora 40 anos de atuação no nordeste
Em entrevista ao redeGIFE, o superintendente da Fundação Odebrecht, Maurício Medeiros, fala sobre os obstáculos enfrentados pela organização nestes 40 anos
12 de dezembro de 2005
Em entrevista ao redeGIFE, o superintendente da Fundação Odebrecht, Maurício Medeiros, fala sobre os obstáculos enfrentados pela organização nestes 40 anos
12 de dezembro de 2005
Como parte das comemorações de seus 40 anos de atuação, a Fundação Odebrecht realizou, na última quarta-feira (7/12), em Salvador (BA), o Seminário Internacional Educação para o Desenvolvimento Sustentável – Desafios e oportunidades que vêm do campo. O evento reuniu parceiros do Programa DIS Baixo Sul, representantes do terceiro setor nacional e formadores de opinião (jornalistas e educadores), que abordaram assuntos como educação rural de qualidade, educação pelo trabalho e para o trabalho e educação para a cidadania.
Algumas semanas antes, um grupo de jornalistas visitou o programa desenvolvido pela fundação na região do Baixo Sul da Bahia – composta por 11 municípios com população total de 250 mil habitantes. A iniciativa visa o desenvolvimento local sustentável e integrado, baseado no princípio das parcerias intersetoriais e no desenvolvimento simultâneo dos capitais humano, social, produtivo e ambiental.
Para isso, combina cadeias produtivas integradas, políticas de fixação do homem à terra, estruturação da educação formal e profissionalizante com ênfase na cultura local, promoção de justiça e cidadania e preservação ambiental. (leia nesta edição o artigo de Cinthia Sento Sé, enviada especial do redeGIFE à visita organizada pela fundação).
Em entrevista ao redeGIFE, o superintendente da Fundação Odebrecht, Maurício Medeiros, fala sobre os obstáculos enfrentados pela organização nestes 40 anos, foco dos trabalhos, parcerias e investimento social privado na área rural.
redeGIFE – A Fundação Odebrecht começou a atuar exclusivamente na comunidade em 1980, época em que o investimento social privado, assim como o conhecemos hoje, não era muito comum no Brasil. Como foi iniciar este tipo de atuação?
Maurício Medeiros – No início dos anos 80, a Fundação Odebrecht, que até então desenvolvia ações junto aos integrantes da Construtora Norberto Odebrecht, alterou totalmente seu rumo, voltando-se para a atuação exclusiva na comunidade. A princípio, a intenção era fomentar idéias e apresentar soluções ao governo como forma de resolver questões sociais. Os primeiros passos foram mobilizar inteligências em todo o Brasil, mediante a realização de prêmios e a promoção de debates políticos e acadêmicos. Cinco anos de trabalho foram suficientes para se perceber que o governo não tinha condições de colocar as idéias em prática sozinho. Esse obstáculo levou a Fundação Odebrecht a repensar seu papel, estimulada pelo desafio de desenvolver metodologias e estratégias de intervenção social na comunidade.
redeGIFE – Desde 1988, a Fundação Odebrecht tem como foco de trabalho projetos para e com os adolescentes. Este é um público que precisa de mais atenção no nordeste brasileiro?
Medeiros – Representando 1/3 da população brasileira com idade entre 15 e 24 anos, os jovens nordestinos vivem, atualmente, uma realidade bastante diversa da vivida por seus iguais no Sul e Sudeste. Eles têm que conviver com as maiores taxas de desemprego e os piores índices de desenvolvimento juvenil do país. A missão da Fundação Odebrecht é educar esse adolescente para a vida, pelo trabalho e para valores. O jovem é um valioso agente do desenvolvimento regional, capaz de repassar seus conhecimentos adquiridos para sua família e comunidade em geral, melhorando as condições de vida de todos.
redeGIFE – Em 2003, foi decidido que a Fundação atuaria especificamente na região do Baixo Sul da Bahia. O que levou a isso?
Medeiros – A Organização Odebrecht tem um vínculo histórico com o Baixo Sul da Bahia, região formada por 11 municípios, com cerca de 250 mil habitantes. Nesta região, as riquezas naturais e o potencial humano convivem lado a lado com a pobreza, que alcança mais de 50% da população. Neste contexto resolvemos fazer um programa piloto, passível de reaplicação em outros contextos, em especial outras regiões do interior do Nordeste. A disseminação do modelo, no entanto, acontecerá quando o mesmo estiver consolidado.
redeGIFE – O trabalho da Fundação Odebrecht também é reconhecido quando o assunto é atuação em parceria. O que o senhor indica como características fundamentais para fazer funcionar trabalhos em conjunto (tanto com empresas quanto com ONGs, governo, outras fundações empresariais, etc)?
Medeiros – A Tecnologia Empresarial Odebrecht (TEO) – um conjunto de princípios, conceitos e critérios que direcionam a organização – defende que precisamos criar e usar a inteligência coletiva e a diversidade como forma de maximizar a força da criatividade, da inovação e da sinergia na obtenção da produtividade. Por isso, trabalhamos em sistema de governança, onde o primeiro, o segundo e o terceiro setores atuam de forma coordenada e sinérgica em busca de novas soluções a serviço da comunidade. Ter objetivos comuns é fundamental. Comunicação e alinhamento são palavras-chave: partilhar decisões, comunicar ações e fazer planejamentos em conjunto. É preciso boa vontade e flexibilidade para entender as demandas de cada parceiro.
redeGIFE – O seminário internacional que a Fundação promoveu no dia 7 de dezembro teve como tema “Educação para Desenvolvimento Sustentável: desafios e oportunidades que vêm do campo”. Podemos dizer que as empresas, fundações e institutos empresariais não estão atuando fora das grandes áreas urbanas como poderiam/deveriam?
Medeiros – Podemos já observar uma atenção que empresas, fundações e institutos vêm dispensando ao meio rural. O campo continua a expulsar seus moradores para a cidade, que, por sua vez, já não consegue absorver esse contingente. Essa realidade tem incentivado ações que visam o desenvolvimento das comunidades rurais. O objetivo do seminário era promover a discussão sobre o trabalho e a educação como caminhos para o desenvolvimento sustentável no campo.
Fonte:
Informativo redeGIFE, 12 de dezembro de 2005.
Repórter: Mônica Herculano.
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